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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Relatório de Visita ao IHGSE

            A visita ao Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe foi realizada no dia 07 de Junho de 2013 e contou com a presença dos estudantes Raquel dos Santos e Thiago Santos de Souza. A visita foi auxiliada pela funcionária Naiara (graduada em História pela UFS) que passou todas as informações aos estudantes bem como apresentou os diversos ambientes da instituição.

1. Histórico e seus dirigentes

            O Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe (IHGSE) foi fundado no dia 06 de agosto de 1912 por Florentino Teles de Menezes (1886-1959) e mais 21 personalidades, sendo que a grande maioria delas eram bacharéis em Direito. De acordo com Dantas (2012, p. 24), a fundação do IHGSE pode ser considerada tardia, uma vez que da região Nordeste apenas o Maranhão, o Piauí e Sergipe ainda não tinham instituições do gênero, principalmente quando consideramos a gama de intelectuais sergipanos que eram destaque no cenário cultural e intelectual brasileiro.
            Entre as funções do IHGSE estão à valorização dos grandes homens de sua terra, ser um espaço para refletir sobre o “ser” sergipano, qual o seu território a exemplo das discussões sobre os limites de Sergipe principalmente em relação à Bahia, bem como discutir o futuro do Estado. Em síntese podemos afirmar que o objetivo principal da instituição é “aglutinar a intelectualidade e preservar a memória” (DANTAS, 2012).
            A fim de cumprir suas funções sociais o IHGSE realiza continuamente celebrações dos grandes acontecimentos históricos nacionais e estaduais, recepciona intelectuais, homenageia personalidades ilustres já falecidas, promove palestras e eventos de cunho científico, além de disponibilizar seu acervo documental para a pesquisa.
            Ao longo da história dessa instituição a construção da sua sede própria, iniciada em 17/03/1934 durante a gestão do presidente Nobre de Lacerda foi um acontecimento de grande importância. Desde a sua fundação o instituto ocupou vários espaços, muitas vezes cedidos por outras instituições a exemplo do Palácio do Governo e do salão de conferências da Biblioteca Pública até a entrega da sua sede.
            No entanto, a construção da sede do IHGSE foi bastante dificultosa para seus principais idealizadores, o presidente e tesoureiro do período Nobre de Lacerda e Epifânio Dória (gestão 06/08/1927 – 28/06/1935), respectivamente. A construção da sede foi realizada através de doações, mas seu andamento foi bastante prejudicado pelo contexto político, sobretudo pelos desdobramentos da Revolução de 1930 que dificultou a liberação de recursos do governo para a obra. Ainda assim Nobre de Lacerda e Epifânio Dória adquiriram uma casa de um italiano na Rua Itabaianinha, nº 41 por 25 contos de réis e com a venda da mobília antiga desta casa foi possível iniciar a obra em 1934.
            Segundo Dantas (2012, p. 123), o projeto foi elaborado pelo construtor alemão Arendt von Altenesch, vindo da Argentina, que projetava vários edifícios em Aracaju nos anos 30 e divulgava entre nós o estilo Art-déco, que pregava a adesão de formas geométricas regulares. No entanto o projeto inicial de Altenesch com três pavimentos estava acima do orçamento disponível pelo IHGSE, por isso o projeto acabou sofrendo algumas modificações. No ano de 1935 a obra foi paralisada devido à morte de Nobre de Lacerda, sendo reiniciada em 1937 e finalmente inaugurada em 02/04/1939.

    Prédio do IHGSE (Foto: Thiago; data 07/06/2013)

Ao longo da sua existência o IHGSE contou com a colaboração significativa de todos os seus dirigentes e sócios, mas foi durante a gestão de   Ibarê Dantas (19/12/2003 – 19/01/2010) que a instituição passou por uma reforma significativa e por um processo de modernização.
Ao assumir a direção do Instituto Ibarê Dantas encontrou vários problemas como falta de pessoal, prédio deteriorado que não sofria reformas a 12 anos, grande acervo precisando de maior organização e sistematização, escassez de recursos financeiros entre outros. Buscando a solução para esses problemas o então presidente, Ibarê Dantas, contou com a ajuda da imprensa para dar visibilidade aos problemas e chamar atenção dos governantes a fim de angariar recursos para a instituição.
Assim entre os anos de 2004 a 2009 o IHGSE passou por várias reformas como a substituição do telhado, de janelas deterioradas, pintura e reforma do auditório; ajuda de custo mensal para contratar funcionários e estagiários; como também passou por um processo de modernização com a instalação de telefone, internet, criação do site (www.ihgse.org.br); contratação de uma empresa de segurança patrimonial; e desenvolvimento de várias ações culturais e de sociabilidade.
A gestão atual de Samuel Barros (2010) recebeu o instituto em boas condições tanto estruturais quanto financeiras. No entanto, vem realizando várias ações significativas desde a sua posse como a instalação da rampa de acesso e adequação dos banheiros para deficientes físicos, a criação da Coleção Biblioteca “Casa de Sergipe” com 15 títulos apoiada pelo reitor da UFS, realização de eventos em parceria com outras instituições como a UFS e ANPUH-SE, a condução das comemorações do centenário entre outras ações.
De acordo com a funcionária Naiara, na atualidade a instituição não enfrenta nenhum problema sério, verificamos apenas que os computadores destinados à pesquisa não estão funcionando. Na verdade após 100 anos de serviços prestados a sociedade sergipana, o IHGSE possui desafios ao invés de problemas, principalmente com relação à adequação do seu acervo às inovações tecnológicas.
Segue abaixo a lista dos dirigentes até a atualidade:

1.      João da Silva Melo 06/08/1912 – 06/08/1916
2.      Manoel Caldas Barreto Netto 06/08/1916 – 06/08/1921
3.      Manuel Joaquim Pereira Lobo 06/08/1921 – 02/08/1923
4.      Manoel Caldas Barreto Netto 02/08/1923 – 06/08/1925
5.      Cyro Cordeiro de Farias 06/01/1925 – 27/01/1925
6.      Almirante Amintas José Jorge 27/01/1925 – 06/08/1927
7.      Francisco Carneiro Nobre de Lacerda 06/08/1927 – 28/06/1935
8.      Epifânio da Fonseca Dória 27/01/1937 – 06/08/1939
9.      Hunald Santaflor Cardoso 06/08/1939 – 06/08/1941
10.  José Augusto da Rocha Lima 06/08/1941 – 06/08/1945
11.  José Calazans Brandão da Silva 06/08/1945 – 09/08/1947
12.  João Batista Perez Garcia Moreno 09/08/1947 – 06/08/1951
13.  Felte Bezerra 06/08/1951 – 13/08/1953
14.  Enoch Santiago 13/08/1953 – 16/02/1957
15.  Manoel Ferreira da Silva Neto 06/08/1957 – 06/08/1961
16.  Urbano de Oliveira Lima Neto 06/08/1961 – 06/08/1965
17.  José da Silva Ribeiro Filho 06/08/1965 – 05/08/1967
18.  José Bonifácio Fortes Neto 05/08/1967 – 05/08/1969
19.  José Garcez Dória gestões 18/08/1969 – 18/09/1972 e 10/10/1972 – 14/10/1972
20.  Benjamim Alves de Carvalho 18/09/1972 – 10/10/1972
21.  José Silvério Leite Fontes 15/10/1972 – 27/11/1972
22.  Maria Thétis Nunes 27/11/1972 – 19/12/2003
23.  Ibarê Dantas 19/12/2003 – 19/01/2010
24.  Samuel Barros de Medeiros Albuquerque 2010 a atualidade

O horário de funcionamento do IHGSE é de segunda a sexta das 8h às 12h e das 14h às 18h; e sábados das 9h às 12h.
2. Como chegar

            Saindo de carro a partir da UFS até o IHGSE a distância é de 6,4 Km e o tempo estimado é de 11 minutos através da seguinte rota:
1.      Seguir na direção leste pela Avenida Marechal Rondon;
2.      Continue em frente pela Avenida Desembargador Maynard;
3.      Continue em frente pela Avenida Barão de Maruim;
4.      Vire à esquerda na Rua Itabaiana;
5.      O IHGS fica no lado esquerdo da Rua Itabaianinha, nº 41.

As linhas de ônibus que passam próximo ao IHGSE saindo da UFS são: 031 – Eduardo Gomes Desembargador Maynard; 715 – Eduardo Gomes 2 via Tijuquinha; 032 – Tijuquinha Osvaldo Aranha.

3. Referências Bibliográficas

DANTAS, Ibarê. História da Casa de Sergipe: os 100 anos do IHGSE 1912-2012. São Cristóvão: Editora UFS, 2012.

SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Um misto de acanhamento e audácia...”: reflexões em torno da identidade sergipana (1910-1930). In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.

Site: www.ihgse.org.br (Acessado em 07/06/2013)


4. Anexo

    Graduandos Raquel e Thiago (Foto: Naiara; data: 07/06/2013)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Relatório do Seminário: Limites entre Sergipe e Bahia

O grupo iniciou o seminário explicando a metodologia utilizada, sendo organizada da seguinte forma: a) breve histórico sobre a historiografia sergipana acerca dos limites entre Sergipe e Bahia; b) o início capitania de Sergipe com a doação das capitanias hereditárias; c) os antecedentes da independência de Sergipe em relação à Bahia; d) obra de Francisco A. de Carvalho Lima Jr. – 1918; e) obra de Manoel dos Passos de Oliveira Telles – 1919; f) “Limites de Sergipe: Discussão entre os Louvados” de Ivo do Prado – 1932; g) obra de João Pereira Barreto – 1920; h) a questão de limites na atualidade através da análise do Senador Francisco Rollemberg – 1989.
O seminário teve por objetivo apresentar as principais discussões acerca dos limites de Sergipe através da análise de obras do início do século XX como também de uma obra que analisa essa temática na atualidade.

domingo, 13 de novembro de 2011

Uso do privado no público

O discurso modernizador das elites não era ofuscado somente pela condição precária de vida dos homens pobres, mas também pelas relações de poder que nem sempre estavam de acordo com os princípios da ordem e do progresso.
Existiam muitos problemas enfrentados pelos órgãos oficiais no que diz respeito ao cumprimento das leis. Nas comarcas limítrofes, por exemplo, os juízes tinham dúvidas sobre a aplicação da lei aos indivíduos presos que diziam ser de outro Estado. Mas o principal empecilho enfrentado pelos órgãos públicos era a influência dos chefes locais.
Tanto nas comarcas, quantos nas cadeias públicas, nas delegacias e na polícia havia a influência do poder dos chefes locais que contradiziam as leis, as ordens dos chefes oficiais e indicavam pessoas para ocupar cargos públicos.
Toda essa rede de favores e mandonismo dos chefes locais ou coronéis acabava gerando muitos conflitos, que culminava com a renúncia ou a posse arbitrária de pessoas em cargos públicos, a entrega de chefia a pessoas não qualificadas entre outros.
Embora o caos na administração pública em Sergipe fosse aparente, os presidentes do Estado sempre passavam uma imagem de ordem e tranqüilidade, afirmando nos relatórios oficiais que o povo sergipano era pacífico, trabalhador e obediente às leis.
Mas a historiografia demonstra também as contradições do projeto modernizador, como por exemplo, o fato de existirem cadeias públicas mostra que o sergipano não era tão pacífico, evidenciando assim as fragilidades desse discurso produzido pelas elites e para as elites.
O discurso dos presidentes visava à manutenção da imagem moderna e civilizada que as elites haviam projetado, procurando mascarar todas as mazelas sergipanas como a miséria dos trabalhadores, a violência, a inoperância dos órgãos públicos, o quase que total desrespeito as leis entre outros.

Referência:
SOUSA, Antônio Lindvaldo. “ Uso do privado no público”: ordem pública e coronelismo em Sergipe (1889-1930). In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.

domingo, 6 de novembro de 2011

O outro lado da modernização...

O acentuado crescimento urbanístico e econômico de Aracaju passou a atrair homens pobres do campo, que vinham para a capital em busca de trabalho e melhores condições de vida no início do século XX.
No entanto, esses imigrantes não tinham condições de atender as exigências municipais quanto a construção das suas casas, como também não tinham recursos para pagar os altíssimos aluguéis da região central de Aracaju. Todas essas dificuldades levaram esses imigrantes pobres a residirem em locais afastados do Centro, fato que começou a preocupar as autoridades guardiãs do discurso modernizador.
O projeto modernizador da cidade não combinava com as construções irregulares e improvisadas da população pobre, que estavam fora da região do quadrado de Pirro. Por isso o governo efetuou várias reformas urbanas nessas regiões como no Santo Antônio, no bairro Industrial e na região do Aribé (atual Siqueira Campos). A integração dessas áreas suburbanas visava o controle do pobre, ensinando-lhe o seu lugar na sociedade.
As desapropriações e reformas urbanas em prol do discurso modernizador também recebiam o apoio das fábricas, sobretudo as têxteis, na capital. Como exemplo, temos a fábrica Sergipe Industrial que construiu uma vila operária e várias construções como igreja, parque de diversões, campo de futebol etc., com o discurso que era para ajudar no desenvolvimento da cidade e ao mesmo tempo reduzir a miséria do trabalhador ao dar-lhe melhores condições de moradia.


Imagem atual da fábrica têxtil Sergipe Industrial. Fonte: Google

Na verdade a intenção desses empresários era integrar o espaço de trabalho com vida pessoal do operário a fim de mantê-lo sob constante vigilância, o que garantiria maior produtividade e aumento dos seus lucros.
As dificuldades enfrentadas pelos operários das fábricas têxteis eram semelhantes ao dos demais trabalhadores, como alimentação precária, problemas de saúde que geravam altos índices de mortalidade infantil, problemas de saneamento básico, e problemas decorrentes do trajeto das suas casas até as fábricas. Todas essas questões são retratadas na obra de Amando Fontes “Os Corumbas”, que se constitui numa rica fonte de informações para quem deseja estudar o período.



Romance "Os Corumbas" e o autor Amando Fontes, respectivamente. Fonte: Google

Em síntese podemos afirmar que a modernização de Aracaju não era perfeita como desejava seus idealizadores, ela tinha um lado contraditório, que era as precárias condições de vida dos imigrantes pobres que chegavam a capital. 

Referência:

SOUSA, Antônio Lindvaldo. “ Parte do outro lado da modernização...”: Aracaju e os homens pobres nas primeiras décadas do século XX. In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.

domingo, 30 de outubro de 2011

Na busca por uma identidade sergipana

O início do século XX foi marcado por mudanças no aspecto físico de Aracaju e por várias discussões acerca da identidade sergipana. Ambas as questões estavam ligadas ao discurso modernizador das elites e acabaram se tornando alvo crítica.
A elite sergipana defendia em seu discurso a ideia de uma capital moderna e próspera. No entanto esse discurso foi alvo de críticas, como é o caso do francês Paulo do Walle que publicou um artigo no Jornal do Correio do Rio de Janeiro em 1913, afirmando que Sergipe era um estado atrasado devido ao seu isolamento geográfico e ao revezamento de certas famílias no poder, descrevendo ainda Aracaju como uma cidade de palhas.
Em resposta as críticas do francês o intelectual Nobre de Lacerda, defensor do discurso modernizador, publicou um artigo de protesto que dizia o seguinte: a) não há resquícios de casas de palha do período colonial em Aracaju, pois a mesma foi fundada em 1855, ou seja, durante o Império; b) não existe troca de poder entre parentes em Sergipe como podemos observar ao listar todos os governantes desde a Proclamação da República, verificando que nenhum era parente entre si.

Nobre de Lacerda - defensor do discurso modernizador. Fonte: Google

O artigo de Lacerda foi benquisto pela elite sergipana e pelo IHGS – Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe que o aceitou para publicação na revista da instituição no mesmo ano, em 1913.

IHGS localizado na Rua Itabaianinha no Centro de Aracaju. Fonte: Google

A inquietação provocada pelo artigo do francês em Lacerda e na intelectualidade sergipana aponta para questões que envolvem a construção da identidade do sergipano, que segundo Silvério Leite Fontes sofre de um complexo de inferioridade. Deste modo o discurso modernizador surge como uma compensação para esse sentimento. Ainda segundo Fontes, o complexo de inferioridade do sergipano leva muitos indivíduos a fugirem do Estado, já os que decidem ficar passam atuar como contestadores dos problemas sergipanos.

Silvério Leite Fontes. Fonte: Google

Para Fontes (1992, p. 17 apud SOUSA, 2010, p. 131) “a insegurança psicológica do sergipano exige que seus nomes maiores sejam reconhecidos pelos outros, para, somente assim, calarem fundo na valorização própria.” Ou seja, o reconhecimento de nomes sergipanos fora do Estado eleva a estima do povo, contribuindo assim para a construção de uma identidade coletiva. O papel do IHGS tem sido justamente este desde a sua fundação, elevar o nome de indivíduos ilustres a fim de construir uma identidade condizente com a nova ordem social almejada.
Em síntese podemos afirmar que a construção de uma identidade dita sergipana implica no resgate de grandes nomes do passado, feita principalmente por instituições sociais como é o caso do IHGS.

Referência:

SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Um misto de acanhamento e audácia...”: reflexões em torno da identidade sergipana (1910-1930). In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010. 

domingo, 16 de outubro de 2011

Aracaju desponta para a modernidade

                                          Região dos mercados em Aracaju. Fonte: Google

A fundação de Aracaju em 17 de março de 1855 por Inácio Barbosa foi fruto do desejo de construir uma cidade moderna em Sergipe, associada à necessidade de um porto para escoar as riquezas da região da Cotinguiba.
No entanto, Aracaju só passou a corresponder a essa imagem idealizada nas primeiras décadas do século XX, superando a imagem de cidade inviável, cheia de pântanos e dunas que facilitavam a disseminação de doenças.
A imagem de cidade moderna, centro dos principais acontecimentos do Estado foi sendo construída através de uma discurso modernizador, presente nas mensagens do Governo, de comerciantes e de jornais locais.
A fim de consolidar a imagem de cidade moderna e desenvolvida foram tomadas algumas medidas pelo governo, como por exemplo, diversas inaugurações que contavam com o apoio publicitário dos jornais. Foram inauguradas praças, linhas de bondes, aterramentos de lagoas, institutos científicos e escolas. Merece destaque a inauguração da Escola Federal de Aprendizes e Artífices em 1911, que mobilizou muitos cidadãos sergipanos, autoridades e pessoas ilustres, com direito a discurso e banda de música.
Além das inaugurações vale ressaltar o estabelecimento dos Códigos de Posturas que se preocupavam com questões higiênicas, de segurança e de embelezamento, além disso, temos a instalação do relógio público em substituição ao “grito do galo” para marcar as horas, mostrando-se um importante símbolo da nova ordem social.   
Aracaju começou a se destacar nas primeiras décadas do século XX como sede político-administrativa e o maior centro comercial do Estado, sobressaindo-se sobre os demais municípios que começaram a entrar em decadência. A partir de 1910 muitas famílias abastadas mudaram para Aracaju, atraídas pelas maravilhas de uma cidade moderna e em pleno desenvolvimento. Os jovens de famílias ricas iam estudar em outros estados devido à ausência de cursos superiores em Sergipe, muitos deles não retornavam, mas aqueles que decidiam voltar almejavam melhorar o aspecto físico da cidade e assim contribuir para o desenvolvimento nacional.
Podemos concluir que Aracaju só passou a corresponder aos anseios dos seus fundadores a partir do início do século XX, através do discurso modernizador que procurava passar uma imagem positiva da cidade. Só a partir desse momento é que Aracaju passou a atrair uma elite rica e escolarizada, que apostava no desenvolvimento da cidade e sugeria melhorias.

Referências:
SOUSA, Antônio Lindvaldo. “Ave branca que voa dos pântanos para o azul...”: as elites e o projeto modernizador de Aracaju nas décadas de 1910 a 1930. In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.

As Potencialidades da História Local

Texto: As potencialidades da história local para a produção de conhecimento em sala de aula: o enfoque do município de Sorocaba.
Autor: Arnaldo Pinto Júnior

Qual a crítica que o autor faz ao modelo didático imposto pelas elites? Qual a alternativa que ele sugere?

Para o autor a adoção de um modelo didático europeu para o ensino de História, justificado pelo fato de ser considerado mais completo do que o modelo que inclui especificidades locais, acaba provocando um distanciamento dos alunos em relação ao próprio local onde vivem. Somando-se a isso a influência dos meios de comunicação de massa e da indústria do entretenimento, que fazem o aluno conhecer e se identificar muito mais com um país do outro lado do globo, do que com a cidade onde vive.

A alternativa apresentada pelo autor para essa questão é a utilização da história local no ensino fundamental e médio. Para ele o trabalho com a história local enriqueceria o conhecimento dos alunos, vez que daria oportunidade de conhecer peculiaridades muitas vezes ignoradas pela história tradicional. O autor sugere uma comparação com a história presente nos livros e em outras fontes oficiais, com as informações colhidas em campo pelos alunos, a fim de que os próprios alunos construam novos saberes sobre o local onde residem a partir das suas próprias análises históricas.