Três dúzias de casebres remendados,
Seis becos de mentrastos entupidos
Quinze soldados rotos e despidos
Doze porcos na praça bem criados.
Dois conventos, seis frades, três letrados
Um juiz com bigodes sem ouvidos
Três presos de piolhos carcomidos
Por comer dois meirinhos esfaimados.
As damas com sapatos de baeta
Palmilha de tamanca como frade
Saia de chita, cinta de raquete.
O feijão que só faz ventosidade
Farinha de pipoca, pão de greta
De Sergipe Del Rei esta é a cidade.
Referência:
MOTT, Luiz. Sergipe Del Rey em três sonetos seiscentistas. Estudos Humanísticos, São Cristóvão, v. I; p. 125-8, 1990. (Acervo do Prof. Dr. Francisco José Alves)
Gregório de Matos, poeta conhecido pelos versos de humor ácido, descreve sua percepção sobre Sergipe no século XVII, mais especificamente a cidade de São Cristóvão. Nota-se que a cidade era pobre e pouco povoada nesse período, vez que a maior parte da população se concentrava ao redor das casas dos senhores de terra ou em sítios. Esse cenário só muda a partir do século XIX com a prosperidade econômica trazida pela cana-de-açúcar.
Nenhum comentário:
Postar um comentário