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domingo, 18 de setembro de 2011

O açúcar e a prosperidade

A partir do início do século XIX ocorre um crescimento na produção de açúcar em Sergipe, sobretudo na microrregião do Cotinguiba e no vale do rio Vaza-Barris. Antes desse período predominava a criação de gado na província sergipana. A produção de açúcar em Sergipe foi resultado da associação de diversos fatores, tanto internos quanto externos. Com o crescimento do consumo de café na Europa a demanda por açúcar aumentou, coincidindo com a queda na produção em determinadas regiões como nas Antilhas, além disso, a região da Cotinguiba mostrou-se favorável a produção devido às boas condições do solo e do clima.    
De acordo com Maria da Glória Almeida a fragmentação fundiária em Sergipe teve dois momentos. O primeiro deles ocorreu entre 1840 e 1860, onde houve uma multiplicação dos engenhos devido à subdivisão por herança e o aumento da produção levando a fundação de novos engenhos. O segundo momento ocorreu a partir de 1860 denominado por ela de movimento acelerado de fragmentação dos engenhos, devido à morte da primeira geração, pondo em risco a existência de muitos deles, principalmente dos que acabavam sendo administrados por outras famílias.
Em relação a outras localidades os engenhos sergipanos eram pequenos e a aristocracia se apresentava bem modesta quando comparada a baiana e a pernambucana, por exemplo. Os engenhos tinham basicamente a mesma estrutura: a casa grande, a fábrica, a senzala e ao redor a plantação de cana-de-açúcar.
Em Sergipe existiram muitos engenhos, no entanto o de maior visibilidade e o mais estudado é o Engenho Pedras localizado em Maruim. Esse engenho, de acordo com Maria da Glória Almeida, foi administrado por várias pessoas através de um processo de sucessão hereditária que acabou levando a decadência do engenho.
O progresso do açúcar levou a ascensão econômica e política de alguns núcleos de povoamento na região do Cotinguiba no século XIX, tendo papel de destaque o núcleo de Laranjeiras. No entanto, esse crescimento econômico necessitava de um porto para escoar melhor a riqueza, pois até o momento o escoamento era feito pelo porto de Salvador. O governador da época era Inácio Barbosa, que decide transferir a capital de São Cristóvão para Aracaju visando construir um porto posteriormente, além disso, a nova capital era mais próxima da região da Cotinguiba que era o centro de produção das riquezas. Associado a necessidade de um porto existia também certo desprezo por São Cristóvão, devido a sua estrutura urbanística (ruas tortas e estreitas, algumas ladeiras) que não combinava com a prosperidade de Sergipe e com o espírito de modernização surgido no Brasil a partir de 1850.
Concluímos que a maior parte das mudanças ocorridas em Sergipe, a partir do século XIX, ocorre por conta da produção açucareira que modificou profundamente a sociedade, a política e a economia, levando inclusive a transferência da capital.

Referência:
SOUSA, Antônio Lindvaldo. Anos de prosperidade e mudanças: a sociedade do açúcar e a necessidade de uma nova capital sergipana. In:_____Temas de História de Sergipe II. São Cristóvão: Universidade Federal de Sergipe/CESAD, 2010.

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